Em entrevista exclusiva ao Terra, Ana Paula comentou sobre o sucesso que faz na Itália e falou para o público brasileiro sobre a sua curta passagem e o amor por um clube popular no Brasil. ”Eu torço para o São Paulo Futebol Clube”, disse a musa.


A atleta começou a jogar aos 12 anos pelo clube do Morumbi e no início dos anos 90 aceitou uma proposta para jogar no vôlei italiano. Esse teria sido um dos motivos por ser desconhecida e nunca ter a chance de jogar com a camisa da Seleção Brasileira.


Em 2002, Ana Paula ficou famosa na Itália após sair seminua em fotos de um calendário sexy da equipe do Palermo. O sucesso de vendas foi tão grande que salvou o time da falência naquela época.


Ana Paula, que mora na Itália deste então, disse que tem vontade de voltar a morar por país, dividindo-se seis meses entre a terra natal e o Velho Continente.


Veja a entrevista na íntegra:


Terra – Gostaria de saber como foi o seu início no vôlei. O que te levou a parar na equipe do São Paulo Futebol Clube? Uma outra pergunta, você é torcedora do clube ainda?
Ana Paula Mancino – Eu joguei sete anos no Brasil no São Paulo Futebol Clube. Quando eu tinha dez anos, eu joguei um triangular com o meu ”time de rua” na AABB (Associação Atlética do Banco do Brasil) perto de casa. E nesse torneio, o técnico do time da AABB falou aos meus pais para eu fazer um teste no São Paulo. Somente dois anos mais tarde, quando tínhamos nos tornado sócios do clube, eu fiz o teste. Lá, comecei jogando na categoria mirim aos 12 anos. E conseqüentemente passei para o infantil, infanto-juvenil e juvenil. Alguns anos mais tarde eu participei de um torneio em Buenos Aires aonde conheci um agente esportivo italiano, o qual me propôs de ir jogar na Itália. Naquele tempo eu tinha 19 anos, por isso ele teve que se encontrar com os meus pais para tentar convencê-los dessa aventura em um país tão distante e dar todas as garantias necessárias de que eu estaria bem.


Terra – Gostaria de saber qual era a sua posição em quadra e como foi o desafio de aceitar a jogar no vôlei italiano com 19 anos na época?
Ana Paula Mancino – Levantadora. Mas do mirim até o infanto-junenil eu jogava como ponta de rede. Somente quando passei para o juvenil que eu me tornei levantadora. Isso porque o meu técnico daquela época me disse que se eu quisesse jogar vôlei em um alto nível, eu teria que virar levantadora, pois eu não era muito alta.
No começo era tudo novidade: país novo, nova língua, e muito trabalho. Treinávamos sempre e as minhas companheiras de equipe eram quase todas estrangeiras, por isso eu tive que aprender a lidar com pessoas de outras culturas e com mentalidades diferentes da minha.


Terra – Você chegou a ter alguma chance de jogar na Seleção Brasileira (de base ou profissional). Se não teve, foi algo que te frustrou?
Ana Paula Mancino – Não, infelizmente eu não joguei pela Seleção Brasileira, que era o meu sonho desde criança. Todo caso eu acredito ter representado o meu país (não oficialmente), mas como cidadã brasileira no melhor campeonato de vôlei do mundo. Não somente eu, mas também outras minhas colegas brasileiras.


Terra – Foi na Itália que você começou a ter a chance de explorar a carreira de modelo? Atualmente, quais são os seus desafios profissionais?
Ana Paula Mancino – Foi meio por acaso que comecei a ser vista não somente como atleta, mas também pelo meu aspecto exterior. Não sinto poder dizer que eu tive uma carreira como modelo porque eu não era uma profissional, era somente uma maneira de ajudar o meu time com publicidade, que acabou tendo mais sucesso do que o esperado. Quase sempre fui fotografada para revistas esportivas ou coisas relacionadas com o esporte, não somente italiano, mas também de outros países. Ter sido fotografada para o livro Facce da Sport do Giorgio Armani, junto com atletas internacionais como Carl Lewis, Serena Williams, Tiger Woods, David Beckham, Boris Becker, Lennox Lewis, Kaká, foi incrível.
Já em relação à televisão foi sempre muito diversificado. Desde ”madrinha” do Brasil na Copa do Mundo na RAI, a participações a inúmeros programas de diversos tipos de interesses. Mas o mais emocionante foi dar o pontapé inicial de um jogo de futebol entre Itália e Brasil (uma seleção não oficial dos dois times organizada pelo Cafu e pelo Tommasi) em beneficência em prol dos Meninos de Rua do Brasil da Fundação Cafu, no Estádio Olímpico de Roma. Tinha 60 mil pessoas! Eu quase tive um enfarte.
Faz três anos que mudei completamente de vida. Em parte foi um processo natural. Em um certo momento da minha vida eu percebi que as minhas prioridades mudaram. A minha realização pessoal não correspondia mais exclusivamente com a carreira esportiva. Agora eu sou Produtora e General Manager da Chico Paladino Productions, que é uma casa de produções italiana de moda, publicidade e cinema. Trabalhamos sem parar porque fazemos produções worldwide. Isso quer dizer que viajo muito e estou sempre na correria. Devemos ser perfeitos em todos os detalhes.


Terra – Uma pesquisa recente te colocou como uma das esportistas mais sexy do mundo. A repercussão foi grande na Itália?
Ana Paula Mancino – Sabe que eu não sei… Desde que eu parei de jogar, continuam me escolhendo como uma das esportistas mais sexy do mundo em sites e revistas de vários países (Espanha, Canadá, Argentina, EUA, França,…). Eu sei disso pelas entrevistas que os jornalistas me fazem, pelos e-mails que me parabenizam ou pelo meu web site, o qual percebo um grande aumento do numero de visitas. Sinceramente é muito divertido!!!


Terra – Em 2002, você estampou um famoso calendário da equipe do Palermo. É verdade que as suas fotos fizeram tanto sucesso que salvaram a equipe da falência e essa estratégia virou até tese de marketing em uma universidade italiana?
Ana Paula Mancino – Acredite se quiser, mas em parte é verdade. É verdade que as minhas fotos fizeram um sucesso enorme. Fui a primeira esportista a ser convidada em programas televisivos e a sair na primeira página de jornais (não somente esportivos) na Itália. Até então eram somente os jogadores de futebol a terem esse privilégio. A nossa equipe conseguiu terminar o campeonato, mas em seguida soube que venderam o time por outros motivos. E em relação à universidade italiana, eles me telefonaram porque estavam fazendo uma tese de marketing em relação a esse sucesso midiático e sociológico que eu tive. Nem eu acreditei de tão surpreendente!


Terra – Você vem muito ao Brasil? Ou a vida profissional na Itália te deixa cada vez mais distante de sua terra natal?
Ana Paula Mancino – Acabei de passar dois meses no Brasil. Fiz uma viagem fantástica: São Paulo para ver os meus pais e depois Florianópolis, Maceió, Salvador, Praia do Forte e Trancoso. O Brasil é lindo!!! Logicamente com o trabalho que eu faço estou sempre viajando e nem sempre eu posso ir ao Brasil quando eu quero. Dessa vez eu tive muita sorte. Adorei!


Terra – Por estar tanto tempo na Itália, você já se sente mais italiana do que brasileira?
Ana Paula Mancino – Em relação à língua acho que complicou um pouco porque estou errando muito quando falo ou escrevo em português. Mas o meu coração será sempre brasileiro.


Terra – Atualmente, você reside em que cidade italiana e se pensa em um dia voltar a viver no Brasil?
Ana Paula Mancino – Eu vivi em muitas cidades italianas, mas faz seis anos que eu moro em Palermo, na Sicília. O meu namorado e eu estamos seriamente pensando em viver no Brasil. Digamos seis meses na Itália e seis meses no Brasil, para começar.
 
 
(Fonte: Redação Terra)
 



 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui